Um ano depois do big bang criativo do luxo, quem já provou que a troca funcionou
The Great Fashion Reset, com o ciclo de trocas de direção criativa do luxo praticamente completo, Chanel, Balenciaga e Loewe já mostram resultado. O padrão que separa as sucessões bem-sucedidas das que ainda estão em teste.
BASTIDORES DE MARCAS
9/28/20261 min read
Um ano depois do big bang criativo, o placar já pode ser lido
The Great Fashion Reset, o ciclo de trocas de comando criativo que essa coluna vem acompanhando entre Chanel, Gucci, Dior, Balenciaga, Loewe, Maison Margiela, Bottega Veneta e Fendi, chega a setembro de 2026 praticamente completo. E esse mês de setembro a estreia que faltava, de Pieter Mulier na Versace. Com quase todos os nomes já tendo apresentado mais de uma coleção completa sob o novo comando, dá para separar com uma segurança que não existia seis meses atrás, quem usou a troca para reinvenção real da casa e quem ainda está em fase de ajuste.
Matthieu Blazy, na Chanel, escolheu reverência técnica aos materiais mais históricos da casa em vez de ruptura visível. A resposta do mercado foi a chamada Blazymania, com listas de espera reabertas na Europa e a marca recuperando o posto de mais desejada do luxo mundial. Pierpaolo Piccioli, na Balenciaga, apostou no caminho inverso ao do antecessor, trazendo romantismo clássico para uma casa construída em cima de ruptura, com recepção crítica consistente ao longo de mais de uma coleção seguida.
Jack McCollough e Lazaro Hernandez estrearam na Loewe abraçando o legado do antecessor em vez de tentar apagá-lo, com o teste inicial já superado, embora a consistência de longo prazo ainda esteja em aberto. Jonathan Anderson segue construindo, com bem mais cautela do que os outros nomes deste ciclo a transição mais delicada de todas: transportar um estilo pessoal já consagrado em outro endereço para dentro dos códigos históricos e rígidos da Dior.
O padrão que já se confirma agora com dado real acumulado ao longo de mais de um ano e não apenas hipótese de quem observava de fora no início do ciclo, é este: as trocas mais bem-sucedidas não foram as que apostaram em ruptura total com o passado da casa, nem as que apostaram em continuidade total sem nenhuma marca própria visível. Foram as que leram com precisão qual parte da identidade da casa era realmente insubstituível e qual parte, finalmente, podia ser questionada sem perder o público.
Achar essa linha exata continua exigindo mais estudo de arquivo da própria marca do que instinto criativo solto e sem raiz.


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