O fim da taxa das blusinhas e o que ela custa à indústria nacional
Não há mais o imposto sobre compras internacionais de até US$ 50. O que essa decisão tributária significa para a competitividade da produção têxtil brasileira.
FORA DA BOLHA
8/27/20261 min read


O fim da taxa das blusinhas e o que ele custa à indústria nacional
Em maio de 2026, o governo federal zerou o Imposto de Importação de 20% que incidia sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada taxa das blusinhas, criada em 2024 dentro do programa Remessa Conforme. A decisão foi comemorada por parte dos consumidores, mas criticada por entidades do varejo e da indústria nacional, que argumentam que a cobrança havia garantido isonomia competitiva frente a plataformas como Shein, Shopee e AliExpress.
O ICMS estadual, entre 17% e 20% dependendo do estado, continua sendo cobrado normalmente, e para compras acima de US$ 50 a tributação de 60% permanece em vigor. Mas a mudança já teve efeito visível: cerca de 14 milhões de brasileiros haviam interrompido compras internacionais desde a criação da taxa, principalmente nas classes C, D e E, e o índice de desistência de carrinho havia saltado de 13% para 38% no período em que a cobrança esteve ativa.
O ponto aqui não é político, é estrutural.
Esta coluna já mostrou, nas pautas sobre a LIVE! e sobre a Lei do Couro, como parte da indústria têxtil nacional constrói vantagem competitiva justamente pela produção local e pela conformidade regulatória. Toda vez que a balança tributária pende a favor da importação de baixo custo, essa vantagem perde peso relativo. Não é uma questão de escolher lado entre consumidor e indústria, é reconhecer que toda decisão tributária desse tipo redesenha, na prática, quem consegue competir em preço dentro do mercado brasileiro de moda.
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