O brechó virou o setor que mais gera emprego no varejo brasileiro, não só o que mais cresce
O Brasil tem mais de 118 mil brechós ativos e o emprego formal no setor cresceu 115% entre 2020 e 2024, mais que qualquer outro segmento do varejo. Por que esse dado importa mais que o faturamento projetado de R$ 24 bilhões?
FORA DA BOLHA
9/27/20261 min read
O brechó parou de ser economia de crise e virou o setor que mais gera emprego no varejo
O Brasil já tem mais de 118 mil brechós ativos segundo levantamento do Conselho Federal de Administração, um crescimento de 31% em cinco anos. O faturamento do setor é projetado em 24 bilhões de reais só em 2025, de acordo com o Sebrae-SP e a trajetória segundo projeções do próprio mercado, deve superar o faturamento do fast fashion no país até 2030.
O dado mais revelador, no entanto, não é o de faturamento. Segundo levantamento da Fecomércio, o número de empregos formais no varejo de segunda mão mais que dobrou entre 2020 e 2024, um crescimento de 115% que superou qualquer outro segmento inteiro do varejo brasileiro no mesmo período. Faturamento cresce quando o consumo aumenta. Emprego formal cresce quando o setor amadurece o suficiente para virar estrutura, com contrato, ponto fixo e operação organizada.
O motivo mais citado pelos próprios consumidores segundo a pesquisa do Sebrae Minas, ainda é prático em primeiro lugar. 61% priorizam a qualidade da peça em relação ao preço pago por ela. 27% buscam acesso a marcas específicas por um valor mais acessível do que o produto novo. Mas 70% também apontam o fator sustentabilidade como parte real da decisão de compra, não apenas como justificativa posterior. O perfil que mais cresce dentro desse mercado é o de mulheres entre 18 e 25 anos, com renda entre um e cinco salários mínimos, geração que não está ali apenas economizando.
Está formando repertório de moda fora da lógica de coleção nova a cada estação, escolhendo peça por peça em vez de comprar looks inteiros prontos.
Essa combinação de economia real com formação deliberada de repertório separa o brechó como fenômeno passageiro do brechó como mudança estrutural de comportamento de consumo.
Quando um setor cresce mais rápido em emprego formal do que em faturamento, não é sinal de moda passageira. É sinal de que virou economia séria, com estrutura para sustentar o próprio crescimento.




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