Nike, Adidas, Puma e New Balance na Copa de 2026: por que vestir mais seleções não é vencer

Adidas, Nike e Puma vestiram 77% das seleções da Copa do Mundo de 2026, mas a Adidas viu o lucro decepcionar no mesmo trimestre do recorde de receita. Como a New Balance cresce 19% fora dessa disputa?

RADAR DA SEMANA

9/29/20262 min read

Nike, Adidas, Puma e New Balance na Copa do Mundo de 2026: quem realmente ganhou essa corrida

A Copa do Mundo de 2026 terminou deixando um retrato bastante claro de concentração de mercado dentro da indústria de material esportivo. A Adidas vestiu 14 das 48 seleções classificadas para o torneio, a Nike vestiu 12 e a Puma vestiu 11. Somadas, as três marcas cobriram 37 seleções, o equivalente a 77% do total de participantes, deixando apenas 11 vagas divididas entre outras dez marcas concorrentes menores, incluindo a New Balance. E a palavra menores, leia-se com aspas.

A Adidas usou o torneio para bater recorde de receita trimestral, 6,7 bilhões de euros no período, puxado diretamente pelo investimento pesado em patrocínio esportivo ligado à Copa. Ainda assim, o lucro decepcionou as projeções do mercado financeiro e as ações da companhia caíram na sequência do anúncio, o retrato clássico de investimento pesado em visibilidade que custa no curto prazo mais do que devolve em resultado financeiro direto. A Nike, por sua vez, superou as expectativas do mercado nos resultados trimestrais mais recentes, mesmo em meio à reestruturação ainda em andamento da própria estratégia de venda direta ao consumidor, que tem reduzido a presença da marca no varejo multimarcas.

Enquanto as duas gigantes disputam entre si a vitrine mais cara e mais visível do esporte mundial, a New Balance segue crescendo bem fora dessa disputa direta.

A receita da companhia chegou a 9,2 bilhões de dólares, alta de 19% no período, colocando a marca no caminho da meta declarada de 10 bilhões de dólares ainda dentro de 2026. Tudo isso sem disputar visibilidade de Copa do Mundo, apostando em distribuição seletiva, preço médio mais alto que o de anos anteriores e direção criativa assinada por Teddy Santis, também à frente da streetwear premium Aimé Leon Dore.

O que esses casos mostram juntos é que dominar a vitrine esportiva mais cara do planeta deixou de ser garantia automática de vitória financeira no mesmo período. A Adidas provou que consegue vencer a disputa de visibilidade e, ainda assim, decepcionar o mercado financeiro dentro do mesmo trimestre.

A New Balance provou o argumento oposto: dá para crescer com consistência de dois dígitos justamente evitando a disputa mais cara e mais visível de todo o setor esportivo. O tênis New Balance 327, está entre os 10 mais vendidos de 2026. Esse modelo é uma combinação entre estilo retrô com toque moderno inspirado nos modelos de corrida dos anos 70. Em uma reformulação da silhueta e a marca “N” colocada assimetricamente, o tênis representa uma reinterpretação autêntica do legado dos tênis de corrida da marca, que vai para as ruas, mas no formato casual.