Loewe sem Jonathan Anderson: o que a estreia de McCollough e Hernandez já prova
A dupla por trás da Proenza Schouler estreou na Loewe com recepção descrita como confiante e colorida. Como abraçar o legado do antecessor, em vez de apagá-lo, foi a escolha certa para herdar um símbolo que não criaram.
BASTIDORES DE MARCAS
9/27/20262 min read


Loewe sem Jonathan Anderson: a dupla que herdou um símbolo já passou no primeiro teste
Jack McCollough e Lazaro Hernandez passaram mais de vinte anos à frente da Proenza Schouler, marca que fundaram ainda estudantes de moda e que sempre comandaram sozinhos, sem nunca terem assumido a direção criativa de uma casa que não fosse a própria. A estreia deles na Loewe, com a coleção primavera 2026, marcou por isso um tipo de transição pouco comum: dois fundadores deixando o próprio nome, ainda que temporariamente, para herdar o nome de outra pessoa.
Essa outra pessoa é Jonathan Anderson, que comandou a Loewe por mais de dez anos, o período mais aclamado da história recente da marca espanhola, antes de sair para assumir a Dior. A recepção à estreia da dupla, segundo a W Magazine, foi de um debut confiante e colorido. A FashionUnited resumiu o caminho escolhido por eles como uma forma de abraçar o legado de Anderson, em vez de tentar apagá-lo ou competir diretamente com ele logo na primeira coleção.
É a decisão certa para esse tipo específico de sucessão e a diferença fica mais clara quando comparada ao caso espelhado de Anderson na Dior. Anderson saiu da Loewe carregando consigo a linguagem que ele mesmo inventou ao longo de uma década. McCollough e Hernandez chegaram à situação oposta:
Precisando dar continuidade a um símbolo que já existia antes deles, com público formado, crítica favorável e expectativa alta, sem terem participado da construção original daquele símbolo.
Rejeitar completamente esse legado logo na estreia teria soado como recusa do próprio motivo pelo qual foram escolhidos para o cargo. Repeti-lo sem nenhuma marca própria visível teria soado como falta de voz.
A estreia confiante indica que a dupla encontrou, pelo menos por enquanto, o equilíbrio entre essas duas armadilhas. Essa costuma ser a fase mais fácil de qualquer sucessão desse tipo, a primeira impressão, quando toda a imprensa está prestando atenção ao mesmo tempo e o efeito novidade ainda sustenta parte do entusiasmo sozinho. O teste real não é a estreia. É a consistência ao longo de várias temporadas seguidas, quando a pergunta sobre quem são os novos nomes já deixou de ser suficiente para sustentar o interesse do público.
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