Hering: a família quer a marca de volta

Acionistas ligados à família Hering negociam a recompra da marca, hoje sob a Azzas 2154. Um caso real sobre a diferença entre construir uma identidade e ser dono dela.

BASTIDORES DE MARCAS

8/10/20262 min read

Hering: a família quer a marca de volta — e o que isso ensina sobre dono de marca

Uma marca pode carregar seu sobrenome e, ainda assim, não ser mais sua. É basicamente isso que está em jogo no caso Hering agora.

Um grupo de acionistas ligado à família fundadora, que detém cerca de 11% do capital da Azzas 2154, contratou o banco BR Partners para negociar a recompra da marca ou uma reestruturação que devolva a eles maior participação. A Hering foi vendida ao Grupo Soma em 2021, por R$ 5,5 bilhões. Três anos depois, o Soma se fundiu com a Arezzo e formou a Azzas 2154 — hoje dona de Hering, Farm, Reserva, Animale e outras marcas. A família liderou a companhia por quase 145 anos, até a saída de Thiago Hering da gestão no ano passado. Analistas do JPMorgan consideram a venda pouco provável nas condições atuais, e a própria Azzas já negou publicamente que a Hering esteja à venda.

O que interessa aqui não é o desfecho financeiro — é o que o caso revela sobre a diferença entre construir uma marca e ser dono dela. A família Hering deu nome, história e quase um século e meio de identidade a essa etiqueta. Vender não apagou o sobrenome da fachada, mas tirou da família o direito de decidir o que ele significa daqui pra frente.

É por isso que agora eles estão dispostos a pagar para recuperar exatamente aquilo que já era deles.

A lição vale para qualquer trajetória profissional construída em torno de um nome próprio: imagem que não está sob seu controle é imagem que outra pessoa decide como usar — mesmo quando esse nome é o seu.

Hering nasceu em Santa Catarina, meu estado. É motivo de orgulho regional automático e também de atenção redobrada: quando uma marca catarinense de quase um século e meio de história vira peça de xadrez corporativo, vale acompanhar de perto — não como torcida, como estudo de caso.

Hoje com 164 anos, a empresa mantém a Fundação Hermann Hering, cujo Museu ocupa uma edificação centenária enxaimel na cidade de Blumenau, reconhecida como patrimônio estadual desde 2002. No site há um espaço dedicado a experiência imersiva pelos corredores do museu que conta toda a sua história, acesse: https://www.museuheringnometaverso.com.br/museu