Gap voltou a crescer e a aposta em Victoria Beckham é uma peça central dessa virada

A Gap teve o melhor trimestre em mais de 20 anos, puxado por colaborações como a da Victoria Beckham. Como duas marcas em fase de recuperação uniram forças e cada uma emprestou à outra exatamente o que lhe faltava.

BASTIDORES DE MARCAS

9/1/20262 min read

Gap voltou a crescer, e a aposta em Victoria Beckham é uma peça central dessa virada

A Gap Inc. elevou sua projeção de lucro para 2026 depois de um primeiro trimestre sólido, com receita total de 3,5 bilhões de dólares. O destaque isolado foi a própria marca Gap, que cresceu 10% em vendas comparáveis, um dos melhores resultados da grife em mais de 20 anos, segundo a própria companhia. Old Navy e Banana Republic também avançaram, enquanto a Athleta seguiu como ponto fraco do portfólio.

Parte dessa recuperação tem nome e sobrenome, ou melhor, duas assinaturas de moda diferentes. Desde que assumiu como diretor criativo da Gap em fevereiro de 2024, o estilista americano Zac Posen vem transformando a GapX, plataforma de colaborações da marca, num motor de relevância cultural, reunindo parcerias com nomes como Dôen, Sandy Liang, Cult Gaia e Willy Chavarria x Zara, tendência que já apareceu nesta coluna. A colaboração mais recente e mais comentada, porém, foi com Victoria Beckham, lançada em abril de 2026, uma coleção cápsula de 38 peças que esgotou itens específicos, como a camiseta branca de algodão, em poucos dias.

O interessante desse encontro não é só o nome da Victoria Beckham, é o tipo de encontro que ele representa.

De um lado, a Gap, marca americana de básicos acessíveis que vinha de anos de irrelevância competitiva. Do outro, a grife de Victoria Beckham, que passou por dificuldades financeiras nos primeiros anos e hoje vive fase de recuperação sólida, com receita batendo recorde e crescimento de dois dígitos por três anos seguidos. A colaboração junta duas histórias de retomada ao mesmo tempo, cada marca emprestando à outra exatamente o que lhe faltava: a Gap ganha camada de sofisticação e desejo, Beckham ganha alcance e acessibilidade real de preço, com peças entre 34 e 328 dólares.

A própria estilista resumiu essa lógica em entrevista, dizendo que finalmente conseguia alcançar mulheres do mundo inteiro através de um preço acessível. É uma frase reveladora sobre como funciona hoje a economia da moda de nicho: mesmo uma marca de luxo bem-sucedida encontra na colaboração com um gigante de varejo uma forma de expandir alcance sem abrir mão de identidade, das silhuetas estruturadas, paleta neutra e a assinatura "VB" costurada em vermelho aparecem em cada peça, mesmo nas mais básicas.

Fonte: e-commerce Gap