De rivais a sócias: a fusão que criou a Azzas 2154 (e o problema que ela não previu)

Em 2021, a Hering rejeitou uma oferta da Arezzo e escolheu o Grupo Soma. Três anos depois, as duas marcas se fundiram na mesma empresa. O que esse caso revela sobre consolidação sem clareza de governança.

BASTIDORES DE MARCAS

8/12/20261 min read

De rivais a sócias: a fusão que criou a Azzas 2154 (e o problema que ela não previu)

Em abril de 2021, a Hering rejeitou uma oferta de R$ 3,3 bilhões feita pela Arezzo, considerada "ruim" internamente. Duas semanas depois, aceitou uma proposta maior, do Grupo Soma, avaliada em cerca de R$ 5 bilhões. O destino, no entanto, reservou uma ironia: três anos depois, em 2024, Arezzo e Soma se fundiram, formando a Azzas 2154, reunindo sob o mesmo guarda-chuva a Arezzo, Hering, Farm, Reserva, Animale e outras marcas.

Hoje, esse grupo enfrenta um conflito de governança entre seus dois principais sócios, Alexandre Birman e Roberto Jatahy, cenário que alimenta boa parte das especulações recentes sobre a possível saída da Hering do portfólio, movimento que a própria Azzas já negou publicamente.

Consolidar marcas sob uma mesma estrutura resolve escala, resolve distribuição, resolve poder de negociação.

O que não resolve, automaticamente, é identidade. E é exatamente aí que mora o conflito hoje.

Cada marca dentro da Azzas carrega uma história, um público e uma cultura interna própria; juntar tudo sob um mesmo comando não apaga as diferenças, só as empurra para debaixo do tapete até que algum atrito as traga de volta à superfície. Em um próximo post, vou tazer o exemplo da BAW Clothing: mesmo cenário, mesma fusão, porém com um resultado que ainda não chegou para a Hering.

E um lembrete útil para qualquer sociedade profissional, não só corporativa: unir forças em nome de eficiência funciona no papel, mas só se sustenta se a governança e a divisão de poder ficarem claras desde o início, não depois que o conflito já está latente.