Balenciaga com Piccioli: por que o romantismo funcionou numa casa construída na ruptura
Depois da estreia em prêt-à-porter e da primeira coleção de alta-costura, a crítica confirmou a aposta mais contraintuitiva do ciclo de trocas criativas do luxo. O que a recepção a Pierpaolo Piccioli na Balenciaga já prova?
BASTIDORES DE MARCAS
9/26/20261 min read


Balenciaga com Piccioli: o romantismo já entregou mais de uma coleção, e a aposta se confirmou
Quando Pierpaolo Piccioli assumiu a Balenciaga, depois de quase uma década de Demna Gvasalia à frente da casa, o risco parecia evidente para qualquer pessoa acompanhando de fora. Demna tinha construído, ao longo de anos, uma linguagem baseada em desconstrução deliberada, streetwear elevado a status de alta costura, ironia como ferramenta central de comunicação. Colocar em seu lugar um estilista conhecido justamente pelo oposto, o romantismo etéreo e a alfaiataria clássica que definiram mais de dez anos dele à frente da Valentino, parecia, à primeira vista, uma escolha capaz de confundir o público que a casa tinha acabado de conquistar.
Passadas a estreia em prêt-à-porter e a primeira coleção de alta-costura, a resposta da crítica internacional confirmou que a aposta contraintuitiva fazia sentido. A Dazed descreveu a estreia como um eclipse total do coração. A apresentação de couture, com apoio público de nomes como Meghan Markle na primeira fila, foi tratada pela imprensa de moda como um dos momentos mais comentados do calendário inteiro daquela temporada.
O que essa recepção prova é que o instinto por trás da escolha estava certo desde o início.
Depois de anos de linguagem construída em cima de ruptura constante, o gesto mais inesperado dentro daquela casa específica não era intensificar ainda mais a desconstrução. Era voltar à forma. Reverência técnica ao ofício, silhueta cuidada, alfaiataria clássica soaram como novidade genuína justamente porque a Balenciaga parecia ter esquecido, temporariamente, que também sabia fazer isso, e fazer bem.
Ainda é cedo para dizer se o público que a casa construiu sob Demna migra inteiro para essa nova linguagem, ou se parte dele sente falta da ironia que definiu a última década. Mas o primeiro teste, a reação imediata da crítica e do público de moda à mudança de direção mais contraintuitiva de todo o ciclo atual de trocas criativas do luxo, Piccioli já passou com folga.
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