Azzas 2154 vira duas empresas de novo: o que o divórcio Birman-Jatahy confirma sobre governança

Arezzo X Soma: Depois de meses de conflito, Alexandre Birman e Roberto Jatahy fecharam acordo para dividir a Azzas 2154 em duas empresas. Por que a separação prova que o problema nunca foi o produto, foi a governança mal resolvida desde a fusão.

RADAR DA SEMANA

9/12/20262 min read

O divórcio que resolveu a crise: Azzas 2154 vai virar duas empresas de novo

Em setembro, terminou o impasse que essa coluna vem acompanhando desde que o conflito de governança da Azzas 2154 começou a aparecer publicamente. Alexandre Birman e Roberto Jatahy, os dois sócios que nunca conseguiram dividir o comando da companhia com clareza depois da fusão entre Arezzo e Soma, em 2024, fecharam acordo para separar o grupo em duas empresas outra vez.

A divisão ficou definida assim. Birman fica com a Arezzo&Co, que reúne Arezzo, Schutz, Anacapri, Alexandre Birman, Vans, Vicenza e Paris Texas, além da Hering e da maior fatia da Farm Rio. Jatahy assume a Soma, com Animale, Cris Barros, Maria Filó, NV e Reserva. O acordo encerra os processos arbitrais e as medidas cautelares que os dois sócios moveram um contra o outro ao longo do último ano, e a separação completa deve acontecer até o primeiro trimestre de 2027, ainda sujeita à aprovação do Cade.

O próprio Birman resumiu o motivo em termos que qualquer pessoa que já dividiu uma sociedade reconhece de cara: maior foco, autonomia de gestão, clareza de responsabilidades e disciplina na alocação de capital. Nenhuma dessas palavras fala de produto, de consumidor ou de concorrência. Todas falam de estrutura interna de poder.

É a confirmação exata do que essa coluna já tinha apontado quando o conflito ainda estava em aberto, antes de qualquer desfecho estar definido. Consolidar marcas sob o mesmo teto resolve escala, resolve distribuição, resolve poder de negociação com fornecedores.

O que essa consolidação não resolve automaticamente é identidade.

Quando a governança não fica clara desde o início da fusão, o atrito entre culturas internas diferentes não desaparece, só demora para aparecer. Neste caso, demorou pouco mais de um ano inteiro.

A lição que fica não é sobre moda, é sobre qualquer tipo de sociedade profissional. Toda parceria que junta forças em nome de eficiência, sem definir com precisão quem decide o quê desde o primeiro contrato, está adiando uma conversa que vai precisar acontecer de qualquer jeito.

A única variável em aberto é quanto tempo essa conversa demora e quanto ela custa quando finalmente chega.